quinta-feira, 9 de julho de 2009

Querido,

Eu me perguntava o que era o amor! Eu não sabia até que nossos olhos se encontraram. Minha alma tinha cicatrizes e algumas feridas de tantas batalhas. Eu era um gato com machucado e não deixava ninguém chegar perto. Eu queria tanto ter quem quebrasse essas barreiras, muros, muralhas e vencesse meus exércitos e sempre foi tão fácil me transformar no gato mais manso e ronronante da face da terra! Simplesmente, quando você sorriu com seus olhos e segurou nas minhas mãos naquele dia em que as lágrimas não saíram. Eu parei e você continuou. Nossos dedos estavam entrelaçados sem que eu percebesse o que estávamos fazendo. Será que você percebeu que eu havia percebido? Você sorriu como se soubesse que eu não tinha visto este momento chegar e se aproximou de mim com tanta perfeição que me senti em um filme. Tudo perfeito... aliás, nem era. Dia de vento e o vento fustigava meu cabelo, eu sentia frio e me encolhia e sua mão era quente. Talvez, este tivesse sido o momento em que encostei em você: meu frio, minha necessidade de me aquecer.
Você se aproximou, tocou meu rosto com sua mão e eu senti aquele tremor típico e ansioso do momento que chega de mansinho até que seus lábios tocaram meus lábios e eu, de cima do salto alto, ainda subi mais um pouco para alcançar sua boca perfeita, aquele beijo que eu nunca pensei que viria de seus lábios! Aliás, que pensei que nunca mais viria. Você sorria quando eu dizia que iria para um mosteiro longe de tudo, quando eu terminasse meus afazeres mundanos. Você sorria e balançava a cabeça. Quanto tempo ficávamos conversando sobre as coisas da vida? Madrugadas inteiras quando todos já tinha partido... embates lendários entre nossas idéias brilhantes! Você me viu cair tantas vezes por não saber colocar as barreiras certas. Peito aberto demais, você dizia - e tentava me ensinar as coisas do coração para que as ruas do mundo se tornassem minha passarela.
Com um sorriso maroto, eu ainda lembro o vento fustigando meu ser e você impecável em um terno risca de giz com o perfume que virou você e que trago em todas as viagens porque virou o nosso perfume! Ainda sinto suas mãos pressionando minha cintura, pressionando ainda mais meu corpo contra o seu e eu não queria que aquele momento acabasse... eu queria que fosse sempre e sempre. Tudo rodopiava e rodava sem que sequer tivesse bebido. Os vapores subiam e eu quase podia ouvir músicas celestes à nossa volta. Eu queria perguntar o que era aquilo, o que estava acontecendo e, simplesmente, eu me deixei ficar ali, sentindo seu ser, sua alma, sua vida. Desta vez e apenas desta vez, eu não precisei perguntar o que estava acontecendo. Quando, finalmente, sua boca se desfez da minha, seus olhos me trouxeram a certeza daquilo que não precisava de palavras e nossas mãos se uniram novamente. Caminhamos lado a lado. O frio não importava. Nada importava, meu amor! Absolutamente nada importava para nós.
Meu sorriso me denunciava e parecia que eu acabara de ter tido o melhor sexo da minha vida e havia sido apenas o fato de que você existia na minha alma, no meu ser, na minha vida. Eu não vi você se aproximar e me fazer sentir que eu era uma rainha. Aos poucos, você se aproximou com seus galanteios, meu amor, com sua gentileza, carinho. Seus telefonemas para saber como eu estava eram melhor que um milhão de rosas aos meus pés. Quando percebi seus dedos engatados nos meus foi o instante que entendi que éramos muito além do que as estrelas são para os navegadores, meu amor. Eu dizia que nunca seria feliz, que nunca alma alguma me alcançaria e você achou um jeito de criar um cavalo de Tróia e me destronar em seus braços em que suspiro todos os dias da minha vida, apesar das nossas desavenças, do vaso que joguei em sua direção quando descobri coisas do seu passado que eu não gostei ou das vezes que saí sem dar satisfação. Todos os dias, eu tenho prazer em ter você por perto, em sentir seu perfume perfeito, em ver seu corpo abençoado para mim. Foi bom acordar com você ao lado, nossos olhares se encontrando quando você voltou de viagem para casa. Aquele beijo tem um tempo já e todos os que sucederam depois dele é como se fosse sempre o primeiro, é como se tivéssemos esquecido que ele sequer existiu ou que outros existiram! Ah! Meu amor, hoje é seu aniversário e as palavras me faltam para lhe dizer o tanto e quanto lhe amo. Por isso, nesta data, em que os deuses abençoaram o mundo com você, deixo apenas meu corpo, minha alma e meus suspiros em seus lábios.

Eternamente sua,
K

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