Acho peculiar o modo como as palavras que trocamos me fazem entender mais do meu mundo, fazem com que eu me perceba e cresça em silêncio como uma planta que desponta na terra sem que o mundo saiba de sua existência. Há uns poucos dias, você me disse que ficava com alguém porque a pessoa passava por problemas. Eu tive vontade de rir e ao longo desses dias, fui percebendo que ninguém ficou comigo enquanto meu coração se dilacerava em minhas dores profundas, quando eu precisava de acolhimento eu ouvia o silêncio e deixava a dor se fazer presente. As pessoas iam embora assustadas com que viam, talvez. No entanto, você me deu uma pista de que sou uma fortaleza, a certeza exata de que eu posso superar os desafios e que nunca precisei de ninguém para me segurar.
Apenas me permiti isso agora sem as minhas armas porque era algo que quis experimentar, era algo pelo qual minha alma ansiava mesmo sabendo que as lanças e as flechas de Cupido estavam apontadas para mim. Faz parte da vida arriscar e faço isso, agora, timidamente, deixando a ampulheta correr com delicadeza. Nem fico observando a areia cair pela estreita passagem. Virei e a deixei lá para o mágico me avisar a hora de virar novamente e deixar Cronos estar presente. Com orgulho, eu posso dizer que estive em estranhas paragens do reino de Hades, o senhor dos infernos para os gregos. Lógico que saí com algumas feridas profundas, venenos me consumiram ao longo dos anos de passagem. Lá, Cronos é cruel. O Senhor do Tempo faz com que cada grão de areia caia infinitamente devagar. O que importa é que as portas do Hades estão para trás. É tão recompensador enfrentar ao invés de fugir como eu fiz! Eu não sabia como fazer, aprendi há pouco que é importante saber onde está o limite de nós mesmos. Nenhuma dor deve ser suportada para sempre. Não fomos feitos para isso. A dor deve ser vivida para ficar para trás. Será um pedaço de nós, querido, e nos transforma naquilo que somos. Eu não mudaria nada do que vivi. Apesar de tudo, meu coração voltou para o lugar certo.
As palavras ecoam em mim e agradeço a cadda uma das pessoas que se foram porque pude me tornar fortaleza. Agora, eu sei que posso enfrentar qualquer coisa porque você me mostrou que ninguém teve pena de mim e as pessoas foram corajosas por me largarem como se faz com um peso morto e eu era isso mesmo: muito pesada! Agora, eu me sinto como um herói mítico, que passou por suas tarefas com sucesso e que tem lá suas cicatrizes, mas, que cumpriu tudo conforme as ordens dos deuses. Eu me colocarei no lugar da doce Psiquê, que cumpriu seus afazeres e teve ao seu lado para sempre o lindo Eros! É como na música que gosto: serei Anais Nin e você será Henry Miller e seremos felizes no final. Eu sei que fechei ciclos importantes. Percebi isso ontem no show em que fui. Encontrei o namorado pelo qual fui mais alucinada, apaixonada, louca... e ele não representava mais nada. Lembrei do meu primeiro beijo num baile de carnaval, do meu primeiro amor e eu chorei ouvindo Chico César. Onde está o meu amor? Esta resposta aos deuses pertence porque amor... bem, eu não sei o que é isso! Eis o que quero aprender agora: a amar para ser amada!
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