Não sinto mais seus olhos na minha nuca. Não sinto mais seus dedos querendo me alcançar. Não ouço sua voz na minha mente me dizendo qualquer coisa. Lembro das conversas e acho graça do que foi dito entre nós, da falta de jeito de lidar com os sentimentos que ambos temos. Você não quis me tocar e eu flertei com você como quem dança com a morte. Eu amei você. Eu sei disso e você também sabe. Não temos mais nem o encontro das almas que se perdem nas brumas oníricas. Eu quis tanto seus beijos cálidos que eram para as putas que você pegava, eu quis a sua lascívia, seu desejo comprimindo o meu. A dor existia e, dessa vez, eu deixei você ir de mim para sempre como para sempre você me habitou.
Sinto este amor morrer como as pegadas na areia da praia, que qualquer onda leva, pegadas das quais ninguém vai lembrar que existiram. Nosso amor não é como aquele fóssil, que permaneceu no tempo. Ele é vóluvel, perdido, infame e finito. Tivemos um momento que durou uma vida, uma noite estrelada em um abraço apertado, que acabou antes mesmo que eu sequer soubesse que tinha começado. É estranho sentir que você nunca esteve aqui e sou livre das amarras que nos estendeu ao longo de muito tempo. Eu matei você de novo e para sempre na alma. Desta vez, eu não volto, não choro e não morro.
Parti para a vida porque vi que morrer é para quando a Morte resolver me levar. Enquanto isso, deixo as nuvens no céu se formarem para a tempestade cair. Eu gosto de chuva, do cheiro peculiar da terra molhada, vai saber se é porque nasci em dia de tempestade ou porque o calor me incomoda... Eu sei de uma coisa: que ver você não é mais tão necessário. Navego no mar sozinha agora sem a prisão que é amar você, sem a espera tola de que, um dia, seus lábios tocarão os meus. Deixo-o com gosto nenhum na boca. Apenas de uma alegria de quem deixa o peso para trás. Adeus, meu grande amor, porque a vida precisa ser leve e eu deixei você me pesar! Agora, vou deixar o vento me levar para ser leve como uma flor que cai da árvore na primavera.
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